Capítulo IV – A última reunião
Estava uma manhã ensolarada nas planícies abaixo de Eregion, onde o campamento das tropas estavam acampados aguardando anciosamente seus últimos reforços que viriam pela estrada sul. O sol já estava quente, e já passava da hora do almoço quando os anões patrulheiros avistaram a tropa dos homens de Gondor se aproximando, e em alguns minutos já estavam adentrando o acampamento e se instalando para o descanço.
Alaquias, Mindus e Durin se aproximaram para cumprimentar Elber e seus homens, e lhes dar boas vindas. Durin aproximou-se e disse: – Vejo que chegou bem príncipe Elber, e trouxe uma boa ajuda. - Não tão bem quanto parece senhor. – disse Elber – No caminho para cá, a um dia e meio do portão oeste de Moria enfrentamos um terrível batalhão de orcs, eu e meus homens fomos derrotados, e se não fosse a ajuda de Rohan jamais teriamos sobrevivido. Depois da batalha dois mensageiros que enviei de volta a Gondor quando passavamos por Isengard, retornaram ao nosso encontro trazendo mais homens, caso contrário teria vindo sem homens. – Sinto muito pelos seus homens. – disse Alaquias. - E Rohan não pode vir ajudar porque está tendo problemas em seu reino senhor Durin – Disse Elber. – É eu já estou ciente disso – disse Durin – Agora você e seus homens precisam comer alguma coisa e descansar, pois mais tarde faremos a última reunião para discutirmos nossas estratégias.
Logo quando Elber se retirava para descançar ouviu os mensageiros de Durin dizerem que uma tropa de elfos se aproximava do acampamento. E então todos correram para a frente do acampamento e depararam com belos elfos, fortemente armados e cavalgando em seus belos corcéis.
Um belo elfo aproximou-se em seu corcel branco e disse: - Boa tarde senhores, sou Elan príncipe de Lindon. Desculpem-me pelo atraso, tive alguns contra-tempos, mas consegui chegar a tempo de ajudá-los. – Você e sua tropa são muito bem vindos principe Elan. – disse Durin – Quero que conheça Mindus o capitão elfo do reino da floresta e seu subordinado Alaquias. Ambos o cumprimentaram cordialmente. – E esse é Elber príncipe de Gondor e seu subordinado Mandhos – disse Durin.
- Prazer em conhece-los – disse Elan – desculpem por não poder ficar para conversar, preciso descançar, pois a viajem foi longa. – Tudo bem – disse Durin – descanse, pois daqui algumas horas será convocado para uma reunião para planejarmos nossa estratégia. – Sim senhor – respondeu Elan, e então se virou e dirigiu-se até sua tenda que seus homens acabara de armar.
Passado algumas horas todos os capitães e comandantes foram até a tenda do senhor Durin para a última reunião. A tenda era grande, havia o brasão da casa de Durin por toda a tenda, tapetes de pele cobriam o chão e uma grande mesa de madeira retângular estava ao centro. Cada um dirigiu-se a um dos assentos reservados da sala. Haviam sido chamados para a reunião Elber e Mandhos de Gondor, Mindus e Alaquias do reino da floresta, Elan e Olan de Lindon e Durin com seus dois sub-comandantes, Argos e Baltazar.
Passaram algumas horas discutindo como prosseguiriam com a investida, até que decidiram dividir a tropa em duas e cada uma seguiria por uma entrada diferente. Durin e Elan levariam suas tropas através do portão escondido nas montanhas mais ao norte, enquanto Elber, Mandhos, Mindus, Alaquias e Argos entrariam com maior força pelo portão Oeste. A tática era cada tropa atacar ao mesmo tempo por entradas diferentes, para não concentrar a força do exército inimigo que era mais numeroso em um único ponto, e então a tropa que entraria pelo portão oeste limparia o caminho para as tropas de Durin e Elan, e se encontrariam para a última investida contra o líder dos orcs. Baltazar e Olan ficariam como comandantes da tropa que protegeria o acampamento.
A tropa de Durin e Elan partiram logo após a reunião enquanto a outra tropa partiria pela manhã. Durin e Elan partiram antes, pois o caminho até a entrada norte era mais longo, e partindo antes, as duas tropas chegariam quase ao mesmo tempo em seu destino; assim podendo iniciar o ataque ao mesmo tempo.
Caminharam o resto do dia inteiro em marcha pesada, parando apenas ao anoitecer. Dormiram pouco, e antes do sol nascer já estavam marchando novamente. Andaram mais algumas horas até a escuridão se dissipar, mas ao invés do sol, junto a esse novo dia vieram nuvens cinzentas que cobriam todo o céu, e que se tornavam mais escuras ao se aproximarem das montanhas. Pararam uma única vez durante a viajem, e almoçaram desconfortáveis, pois a alguns minutos antes uma leve garoa começara a cair sobre a tropa, que agora havia se transformado em uma forte chuva que chicoteava severamente os corpos dos homens. Ao terminar a refeição a tropa continuou viajem, agora na encosta da montanha. Começaram a subir por uma estreita trilha, e o vento trazia com força as gotas que agora caiam com mais força do que nunca.
Elan que seguia mais atrás com sua tropa sentiu uma estranha sensação naquela montanha. O vento soprava a chuva com força na direção deles. Era como se não fossem bem vindos e a montanha estivesse os expulsando. Isso não parece um bom sinal pensou ele, mas do fundo de seu coração desejava que esse mal pressentimento não lhes trouxesse problemas de fato.
Ao anoitecer pararam para o último descanso. Durin se aproximou de Elan e sentou-se. – Estamos bem próximos da entrada escondida, logo que amanhecer daremos sequência ao plano. – disse Durin. Elan apenas acenou com a cabeça e permeneceu inquieto pelo resto da noite, assim como a maioria dos elfos ali presentes, que, como Elan, também haviam sido dominados por um mal pressentimento desconhecido que os perturbaram pelo resto da noite.
Finalmente a chuva diminuiu, mas uma fina garoa ainda caia sob as montanhas quando amanheceu. Caminharam com mais cautela possível, e em poucos minutos depararam com uma pequena entrada escavada na rocha protegida apenas por um portão de madeira improvisado. Durin ficou surpreso e voltando-se para a tropa disse: - É melhor ficarmos todos bem alertas. Essa entrada era uma das poucas que os orcs não conheciam, mas o portão original foi quebrado, então já descobriram essa entrada e é possível que logo no salão de entrada travaremos a primeira batalha. – Estamos em desvantagem! – disse um guerreiro anão – Estamos em poucos, precisávamos passar despercebidos! A maior tropa está indo em direção a outra entrada! – Sim – disse Durin – Mas não temos escolha. É a nossa chance de recuperarmos nosso amado reino, não desistiremos sem tentar. Dizendo isso voltou-se para o portão de madeira e com um forte golpe com o machado o derrubou, e então guiou a todos para dentro.
O corredor era largo o bastante para passarem oito homens lado a lado. Estava muito escuro e ao passar pelo corredor os anões acendiam tochas e as deixavam nos suportes nas paredes para dar melhor visibilidade à tropa; e logo no final chegaram até uma grande escadaria que os levava cada vez mais para baixo, até que alcançaram o vasto salão de entrada. O Salão era grande e retangular, haviam dez pilastras que formavam um grande corredor que levava a uma grande porta em forma de arco. No começo e final de cada fila de pilares havia ao lado escadarias que levavam ao nível superior do salão que ficava uns três metros acima do chão atrás dos pilares.
Quando toda a tropa havia adentrado o salão Elan que estava mais atrás escutou um grito de um guerreiro anão que estava na frente próximo a Durin. – Estamos sendo atacados! É uma emboscada! Ouvindo isso sacou sua espada e seu escudo, assim como os demais guerreiros da tropa. Olhou ao seu redor e viu uma grande quantidade de orcs correndo de trás dos pilares para os atacar. Rapidamente gritou para que Formassem um grande círculo, pois os orcs estavam cercando-os, e então finalmente começou a primeira batalha. Elan desferiu três golpes certeiros que derrubaram três orcs; olhou para o lado e viu um orc distante com uma grande corneta, e então começou a tocá-la. – Estão avisando que estamos aqui! – gritou Elan – Matem o orc com a corneta! Elan correu na direção do orc seguido por cinco elfos, mas o orc estava longe, e haviam muitos inimigos pela frente, e então começaram a abrir caminho.
Não demorou muito até que a formação de batalha circular se desmanchasse, e para piorar surgiram orcs arqueiros no nível superior do salão e começaram a disparar uma chuva de flechas sobre os elfos e anões que ainda resistiam a batalha. Durin então limpou caminho até uma das escadarias atrás dos pilares próximas ao grande portão em forma de arco e subiu. Os orcs dispararam centenas de flechas em sua direção, mas nenhuma flecha o acertou. Subiu até o nível superior e começou a travar uma difícil batalha sozinho, e logo foi cercado pelos inimigos. Segurou firmemente seu machado e com grande força e agilidade girou três vezes o corpo desferindo um poderoso ataque giratório, derrubando sete orcs ao final do ataque. Mais flechas voaram em sua direção e desta vez uma o acertou um pouco abaixo do ombro, mas para a sua sorte a armadura a impediu de penetrar sua carne. Continuou correndo e combatendo contra os orcs, até que conseguiu expulsa-los daquele nível, matando quarenta e sete orcs. Com uma parte do nível superior livre, os elfos subiram e começaram a combater frente a frente os arqueiros do outro lado que ainda estava tomado pelos inimigos. Os homens que ainda estava no andar de baixo continuava sofrendo fortes danos e então Durin desceu para ajudá-los.
Elan continuava avançando na direção do orc que soava a trombeta, mas com muita dificuldade. Os cinco elfos que o acompanhavam abrindo caminho já haviam perecido, e com muito esforço conseguiu abrir caminho e finalmente derrubar seu alvo. Agora encontrava-se cercado pelos inimigos, e começou uma luta feroz pela sua sobrevivência. Muitos orcs foram mortos por sua lâmina, mas Elan sofreu ferimentos gravíssimos, pois estava sozinho e os inimigos atacavam por todos os lados, deixando suas defesas vulneráveis. Seus homens sem muito sucesso tentavam abrir caminho até seu comandante para ajudá-lo, mas era uma tarefa difícil por estarem em uma grande desvantagem numérica.
Em alguns minutos os elfos conseguiram se aproximar um pouco de Elan, e então os ataques que antes eram direcionados apenas a ele foram desviados para outros alvos, deixando-o livre para correr para longe do coração da batalha. Movia-se com dificuldade pela gravidade de seus ferimentos e estava indo em direção ao portão em forma de arco onde estava Durin quando um grande orc com uma espada curvada cruzou seu caminho. Sua armadura era diferente do restante. Era muito mais pesada e resistente e seu elmo cobria-lhe o rosto inteiro. Seu grande escudo redondo possuía um grande símbolo desconhecido para Elan e em seu braço havia uma grande braçadeira. Elan logo percebeu que aquele era o comandante daqueles orcs.
Vendo que Elan estava muito ferido, Durin começou a correr em sua direção ao seu auxílio, mas ainda haviam orcs bloquiando seu caminho. O grande comandante desferiu um golpe contra Elan que rapidamente bloquiou com o escudo. Tão forte foi o golpe que Elan ao bloquiar foi derrubado, e logo rolou para longe e levantou-se, dessa vez esquivando de um segundo golpe. Um terceiro golpe foi desferido e Elan em resposta bloquiou com o escudo dando uma pancada na espada que a fez voar para longe. O orc correu para longe e Elan o perseguiu para acertá-lo. O orc retirou o escudo do braço e para a surpresa de Elan o arremessou com força em sua direção. O pesado escudo o acertou em cheio na cabeça e antes que Elan conseguisse reagir o orc pegou uma lança que estava no chão e fincou no peito do elfo. Elan conseguiu saltar para trás, mas ainda assim a lança o acertou, trespassando a armadura e perfurando seu tórax. Elan então caiu. O orc retirou a lança e preparou-se para dar o golpe final, mas para a surpresa do orc Elan ainda tinha forças para um último feito, e então antes que fosse perfurado novamente rolou pelo chão e golpeou as duas pernas do orc, decepando-as. O orc caiu no chão ao lado de Elan, que foi atingido no braço esquerdo de raspão pela lança. Com outro rápido movimento antes que o orc pudesse reagir Elan cravou a espada em seu peito.
Com grande esforço tentou levantar-se, mas era inútil. Suas forças haviam se esgotado e ali jazia ele esparramado pelo campo de batalha, junto ao cadáver de seus amigos e inimigos. Ouviu o som de grandes tambores e com um grande estrondo a grande porta em forma de arco se partiu em pedaços. Sua visão começou a ficar embaçada, e viu cinco vultos gigantescos passarem pela porta. Começou a sentir frio, e não só seu corpo estava gelando, mas também sua alma. Virou-se para o outro lado e viu que alguém o tocava e falava com ele, mas não conseguia ouvir mais. Começou a sentir que a morte estava próxima, e bem devagar um grande peso caiu sobre seus olhos, que foram se fechando até que finalmente foi vencido pelo cansaço.
Por Renato Duarte

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