Capítulo III – A viajem dos elfos
Haviam passado poucas horas desde o jantar, e os elfos já estavam de partida. Ainda não havia amanhecido quando eles partiram de valfenda, cortando as montanhas sombrias para o leste em direção da grande floresta verde. Percorreram o caminho frio da montanha por três dias, e no final do quarto dia atravessaram o Anduin. No final do quinto dia finalmente adentraram a floresta, e prosseguiram com mais rapidez, pois a floresta é infestada de aranhas gigantes, e não é seguro caminhar durante a noite.
Depois de mais algumas horas de caminhada, os três elfos pararam para um breve descanso. Lurik e Laucian estavam conversando enquanto Alaquias permanecia em silêncio. De repende um grande clarão surgiu ao sul. Alaquias observou por um tempo em silêncio. Era uma luz esverdeada e logo Alaquias ficou preocupado, pois conhecia a floresta, e sabia que á muito tempo naquela direção existia uma fortaleza do senhor do escuro, Dol Guldur. Galadriel e Celeborn destruiram a fortaleza no fim da guerra do anel, e celeborn manteve um reino próximo, que passou a ser chamado de Lórien Oriental.
- Está vendo aquela luz? – perguntou Alaquias. – Isso não parece coisa boa respondeu Lurik. – Vamos depressa! – Disse Laucian - Já descansamos demais! A floresta é perigosa durante a noite. Quando se viraram para partir uma grande aranha que descia das árvores investiu contra eles. Alaquias e Laucian saltaram com graciosidade desviando rapidamente da investida, mas Lurik foi atingido por uma ferruada da aranha e foi arremessado para longe. Por sorte o ferrão não conseguiu atingir seu corpo, mas sua armadura foi completamente destruida pelo golpe.
Laucian rapidamente sacou sua espada élfica e seu escudo e investiu contra a aranha. Laucian desferiu um forte golpe contra a aranha, decepando três das suas patas, o que a fez cair com um grande estrondo no chão. Rapidamente levantou-se e desferiu uma mordida no pescoço desprotegido de Laucian que gritou blasfêmias contra a criatura. Duas flechas passaram zunindo ao lado de cada ouvido de Laucian e acertaram a aranha, que recuou poucos metros. Alaquias e Lurik haviam disparado flechas contra a grande aranha, que agora tornava a investir contra Laucian. Mais flechas voaram atingindo a grande aranha que investia ainda com mais fúria. Ao aproximar-se novamente de Laucian a grande aranha o agarrou prendondo-o entre suas grandes patas e o mordendo novamente. Ao ver seu nobre mestre sendo devorado pela aranha Alaquias se desesperou. Rapidamente sem pensar em mais nada disparou novamente de seu arco. Para a tristeza deles a flecha acertou Laucian nas costas e antes que Laucian pudesse reagir foi atingido por uma segunda flecha, dessa vez de Lurik.
Os dois elfos observavam aterrorizados essa terrível cena bem diante de seus olhos. Seu mestre sendo devorado pela aranha e sendo acertado pelos seus próprios subordinados. Um grande sentimento de culpa caiu sobre os dois elfos que não conseguia se mover, como se estivessem paralisados pelo medo e pela culpa. Com muito esforço, e com esperanças de ainda salvar seu mestre, Lurik conseguiu disparar uma última flecha, que desta vez acertou a aranha em cheio, fazendo- a gemer de dor e cair morta no chão.
Os dois correram para socorrer Laucian que ainda estava vivo, mas muito fraco, pois pelo pouco conhecimento em cura que Lurik possuia percebeu que Laucian havia sido envenenado. Rapidamente o pegaram e continuaram correndo pelo caminho desesperados com a esperança de salvar seu querido mestre, mas o caminho era longo e o reino ainda estava longe. Depois de seis dias chegaram no reino da floresta, mas no corpo de Laucian já não havia mais vida.
Os dois correram diretamente até as casas de cura, onde deixaram o corpo, e logo em seguida foram levados até o palácio para falar com Thranduil, o senhor da floresta verde. Alaquias dirigiu-se a Thranduil com tristeza nos olhos, que não passou despercebida pelo senhor do reino da floresta, pois grande sabedoria possuia Thranduil, um dos mais antigos elfos que ainda habitavam a terra média, seus olhos eram capazes de decifrar sentimentos e pensamentos de muitos homens e elfos.
- Sinto que trazem notícias ruins jovens guerreiros da floresta, digam logo o que acontenceu. – Laucian está morto – Disse Alaquias com lágrimas misturadas as suas palavras. – Fomos atacados por uma grande aranha e ela agarrou o príncipe Laucian. Tentamos ajudar! Eu juro! Acertamos muitas flechas na aranha, mas ela era resistente, e então em meu momento de desespero acabei acertando acidentalmente uma flecha no senhor Laucian, e Lurik também. – Vocês são treinados para o combate – Disse Thranduil – Não podem falhar dessa forma! Um erro em batalha pode custar a vida de um companheiro, e foi o que aconteceu! Vocês ainda são jovens! Foi um erro ter enviado vocês para escoltá-lo, mas pensávamos que o caminho não seria perigoso. – E de fato não era! – Disse Lurik – Até os orcs começarem a andar livres novamente! Agora o perigo aumentou. Com o mal caminhando novamente pela terra, as aranhas também ganharam mais liberdade! Malditas criaturas! – Então creio que esse tenha sido o motivo do conselho de Valfenda. – Disse Thranduil. – Sim – respondeu Alaquias – Os senhores de Valfenda nos chamou porque os orcs estão novamente andando livres pelas terras após anos de paz, e receio que uma nova sombra se aproxima de nosso reino. Vimos uma estranha luz esverdeada vinda do sul a alguns dias. Vinha da direção de onde antes ficava Dol Guldur. – Também vi essa luz daqui – disse Thranduil – E já enviei um grupo de elfos para Lórien Oriental para descobrir o que está acontecendo.
- Vejo no olhar de vocês que falam a verdade. Não tiveram a intenção de machucar seu senhor, até mesmo porque o principal motivo de sua morte foi o veneno da aranha. Mas esse tipo de falha não pode ocorrer novamente! Se vocês querem ser guerreiros dignos de nosso reino precisam treinar muito mais. Vou rebaixá-los como punição para aprendizes, e deverão treinar duro durante dois meses inteiros, parando apenas uma hora por dia para descansar. E então serão avaliados novamente pelo superior de vocês, que decidirá se vocês irão voltar para suas respectivas posições. Vocês vão começar logo após de me contarem o que o conselho nos pediu e o que Laucian havia respondido. – disse Thranduil.
- Durin está reunindo tropas para retomar Moria – disse Alaquias - e nos pediu ajuda, pois não tem força suficiente para o ataque. Laucian havia concordado em ajudar pois se os anões falharem os orcs vão se aproximar cada vez mais de nossas florestas. – Me conte os detalhes do conselho Alaquias – disse Thranduil, e por algumas horas os dois conversaram. Lurik permaneceu calado, e perdido em seus pensamentos. O trauma da morte de seu senhor ainda era grande, e carregava a culpa consigo, assim como Alaquias. Depois da longa conversa os dois foram levados por Mindus, seu capitão até a área de treinamento, e lá permaneceram durante dois longos meses treinando muito e dormindo e comendo pouco.
Após os dois meses de treinamento foram admitidos novamente como guerreiros, e Mindus recrutou Alaquias na tropa em que partiria até o acampamento dos anões, já que conhecia a localização do acampamento, e Lurik permaneceu no reino, ajudando a vigiar as fronteiras. Viajaram por duas semanas com uma tropa de duzentos elfos, e finalmente chegaram até o acampamento dos anões, e lá permaneceram por mais dois meses até a chegada dos homens.
Por Renato Duarte

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