Capítulo II – A Viajem dos homens
Quando Elber despertou o sol já havia surgido no leste atrás das colinas, então se levantou e desceu as escadas até o refeitório. Uma grande mesa redonda ocupava o centro da sala, e lá estavam seus homens, Durin com sua comitiva e ao seu lado Elrohir. Tomavam o café da manhã e conversavam até que o viram descer e o convidaram para juntar-se a eles. Elber apressou-se ao tomar o café, pois os elfos já haviam partido a algumas horas e a comitiva dos anões estava com pressa para partir. Depois de alguns minutos já estavam no vale despedindo-se prontos para partir. Elladan e Elrohir acompanharam todos até o vale e se despediram, e então finalmente partiram.
Atravessaram a estreita estrada que levava para fora do vale e pegaram a estrada sul, que beirava as montanhas sombrias, viajaram por algumas semanas até passarem próximos a entrada oeste de Moria, e lá Elber e seus homens separaram-se dos anões que tomaram outra estrada. O acampamento militar deles se localizava próximo a Eregion, a poucas léguas da entrada oeste de Moria. Os homens continuaram seguindo fora da estrada por quase três meses. O caminho era difícil e estreito, os cavalos tinham dificuldade em passar por algumas passagens, e assim o caminho seria mais longo, mas muito mais seguro, pois estavam em seis e não arriscariam viajar pela estrada, pois com os orcs novamente andando livres pelas estradas, eles podiam ter a infelicidade de encontrar com alguns. Contornaram quase quatrocentas léguas de valfenda até Minas tirith mas finalmente chegaram depois de uma exaustiva viajem que durou quase quatro meses.
Chegaram quase ao meio dia, e ao passar pelos grandes portões de Minas Tirith, Elber subiu até o último nível da cidadela, no qual se localizava o palácio. Adentrou o palácio e passou por um longo corredor que a essa hora do dia se encontrava cheio de luz, graças as suas grandes vidraças ao longo de todo o caminho. Ao final do corredor Elber adentrou um grande salão. O salão foi construído com pedras brancas, e os pilares que seguiam ao longo de um corredor que levava ao trono eram de uma pedra negra e opaca. O trono também era revestido de pedras negras e opaca, sem muitos adornos, e nele estava sentado um homem velho, mas de grande porte. Seu nome era Elessar II filho de Elessar e Arwen.
Elber se aproximou e fez uma demorada reverência ao rei e então disse: - Salve Elessar rei de Gondor, trago notícias ruins. Espero que não seja um momento importuno, pois não posso adiar isso, e nossa conversa terá de ser agora. Sua chegada nunca é importuna meu filho – respondeu Elessar - me conte as notícias que trazes de Valfenda, pois a meses espero pela notícia desse conselho tão misterioso. O que os senhores de Valfenda pedem a Gondor? – Uma tropa de anões partiu de Erebor sob o comando de Durin VII que deseja retomar o trono de Moria que ainda está em posse dos orcs, e pede a nossa ajuda e a dos elfos para unir forças o suficiente para combater as tropas de Moria. – respondeu Elber. Elessar refletiu por alguns minutos e finalmente disse: - Não podemos negar o pedido do senhor Durin, pois seu povo nos ajudou muito na reconstrução do reino depois das grandes guerras, devemos isso a eles. – Foi o que pensei meu senhor – respondeu Elber – e essa batalha será necessária, pois se não tomarmos providências a respeito dos orcs de Moria, eles podem se tornar um problema maior para todos nós, até mesmo porque estão se multiplicando muito rápido, até estão andando livres novamente pelas estradas! Tivemos que tomar um caminho mais longo para não chamar atenção, por isso demorei tanto ao retornar á cidadela. Pesso sua permissão para levar uma pequena tropa ao auxílio de Durin. – Permissão concedida Elber – Respondeu Elessar – vá até o quartel, e avise o seu irmão para preparar alguns homens, você deve descansar agora. – Sim senhor – respondeu Elber.
Elber se retirou e dirigiu-se até o quartel da cidadela, que se localizava no sexto nível. Um guarda dirigiu-se até ele e o guiou diretamente até a sala de seu irmão. Endros era o primeiro filho de Elessar, herdeiro do trono de Gondor, irmão de Elber, e estava sentado diante de uma grande mesa bagunçada. Haviam muitos pergaminhos e ele parecia concentrado e muito ocupado lendo quando Elber adentrou o local. – Saudações meu irmão! Preciso de sua ajuda – disse Elber. Endros ergueu os olhos e fintou o rosto do irmão por um tempo e disse: - O que é desta vez Elber? Não vê que estou ocupado? – Preciso de homens, pois estou indo para uma batalha em Moria – respondeu Elber com um tom de seriedade em sua voz. – Porque lutará em Moria? Não temos nada a ver com aquelas cavernas! – Perguntou Endros. – Ajudarei o povo de Durin, que quer reclamar o trono! – respondeu Elber. Endros pareceu surpreso, e então levantou-se e exclamou: - Não permitirei que você leve homens para lutar por uma causa que não pertença a eles! Não vai colocar em risco a vida deles por causa de um bando de anões! Eles que se virem! Nossos homens só servem a Gondor e a mais ninguém! – Nós devemos isso a eles Endros! – respondeu Elber – Eles já nos ajudaram muito no passado, e os homens de Gondor são generosos! Não podemos deixar de ajudar nossos aliados! E essa decisão não cabe a você! Nosso pai já autorizou, e se você não fizer o que lhe pedi serei obrigado a dizer ao nosso pai que você recusou-se a obedecer uma ordem direta dele! Endros parecia que explodiria em fúria se Elber continuasse a contrariar sua vontade, mas Elber o encarou nos olhos com tamanha ferocidade que Endros acabou sedendo. – Está bem Elber, vou mandar prepararem sua tropa – disse Endros – mas espero que saiba o erro que está cometendo. A vida desses homens são responsabilidade sua. E então, sem dar mais nenhuma palavra Elber se retirou e caminhou novamente até o Palácio.
Quando retornou até a sala do trono, o rei estava se sentando em uma grande mesa posta ao lado do trono, e vendo Elber adentrar o salão o convidou para almoçar junto a ele. Elber sentou-se ao lado do rei, e então começaram a se servir enquanto conversavam sobre a viajem, e então Elber contou-lhe algo que havia enchido o seu coração de dúvida a algumas semanas atrás, e que só havia lhe retornado à mente nesse momento. – Meu senhor, só agora me lembrei, preciso lhe contar algo sério. – disse Elber. O rei o observou com uma expressão de dúvida, e então Elber continuou: - Ao passar por Isengard, avistei uma fumaça negra no topo de Orthanc, e um sensação estranho tomou meu coração. Um sombra pareceu nos tocar naquela noite, e um medo desconhecido tocou meus homens. Avistamos logo depois, no alto das montanhas próximas, um grupo de orcs, e felizmente passamos despercebidos. – Isso é estranho! – respondeu Elessar – será possível que Isengard esteja povoada novamente pela sombra? Elber pareceu não ouvir a pergunta de Elessar, perdido em seus próprios pensamentos. Observou por um momento a janela, e avistou uma nuvem cinzenta encobrindo a cidadela. Segundos depois uma forte chuva caiu sobre a cidadela. – Melhor mandar alguns homens para investigar meu senhor – disse Elber. – Mandarei – respondeu Elessar. Conversaram pelo resto do dia, até que Elber se levantou e foi até seus aposentos para descansar da longa viajem que parecia ainda lhe pesar um forte cansaço.
Elber acordou cedo no dia seguinte e depois do café da manhã foi direto ao quartel ver se sua tropa estava pronta. Quando chegou até lá, o comandante responsável por organizar as tropas lhe veio em sua direção e lhe cumprimentou, e então Elber lhe perguntou: - Quantos homens meu irmão pediu para você reunir? O homem não conseguiu olhar Elber nos olhos, pois pela sua expressão, Elber percebeu que a notícia que o homem lhe daria não o agradaria. – Cinquenta meu senhor. – respondeu o homem. – O que?! Exclamou Elber – Isso não é o suficiente! Preciso no mínimo de cem homens! Onde está Endros? Quero falar com ele! E antes de que o homem pudesse responder Elber passou pelo corredor norte do quartel e entrou com fúria na sala de Endros. Endros se levantou quando Elber entrou, e não parecia surpreso com a situação. – O que é isso Elber? Ficou louco? – disse Endros - Não se entra na sala de um capitão da cidadela assim! Eu n... E antes que Endros pudesse terminar de falar Elber exclamou: - Não seja cínico! Você sabe muito bem que é impossível invadir Moria com tão poucos homens! – Eu fiz o que me pediu! - disse Endros - Eu disse que lhe sederia homens, mas não disse quantos! Elber olhou com os olhos faiscando ao encontro do olhar de Endros, que também parecia agitado como um mar em fúria. – Quer saber? Eu mesmo reunirei os homens – disse Elber – Já que você não quer cooperar! E então saiu furioso da sala de Endros.
Saiu do quartel e foi a procura de Mordhis, seu sub comandante, que era o seu amigo mais gentil, e o mais leal de sua tropa. Desceu até o segundo nível da cidadela até a torre da guarda central do segundo nível, pois lhe disseram que ele estava orientando os vigias do turno diurno. Começou a subir as escadas que davam acesso à torre e o encontrou no meio das escadas, andando na direção contrária, e com tom de surpresa Mordhis exclamou: - Senhor Elber! Como é bom vê-lo! Não sabia que já tinha voltado de Valfenda! Me conte as novidades! – É bom vê-lo também meu amigo. – responde Elber. – Mas a conversa terá de esperar, pois estou com pressa e presciso de um favor seu. Me acompanhe senhor! – disse Mordhis. – Lá em cima tem uma sala vaga, ficaremos à vontade lá. Elber seguiu Mordhis escada à cima até um corredor que dava para a muralha do segundo nível da cidadela. Seguiram o corredor até aproximarem-se de uma porta no caminho, onde entraram. Era uma sala bem pequena, com apenas uma mesa no centro com algumas cadeiras, e diversos itens militares espalhados pela sala, provavelmente uma sala para o revezamento da vigia. Sentaram-se um de frente para o outro e então Elber começou a falar: - Não tenho muito tempo para explicar, pois preciso partir amanhã bem cedo. Preciso que reúna uma tropa para lutarmos ao lado dos anões, pois eles tentarão reconquistar Moria. Meu irmão é contra a vontade do rei, que aceitou ajudá-los e então reuniu poucos homens para me acompanharem, pois acha um erro partirmos para essa batalha. Não quero encher a cabeça de meu pai com a estupidez do meu irmão, então preciso que você consiga mais homens! – Um dia é pouco para convocar os homens, mas farei o possível. – respondeu Mordhis. - Obrigado meu amigo! – disse Elber – Nos encontraremos pela manhã no segundo quartel do primeiro nível da cidadela, agora tenho que ir! Elber levantou-se e partiu para seus aposentos próximos ao palácio, no último nível da cidadela. Passou o resto do dia preparando provisões para a viajem, traçando os caminhos que percorreriam, calculando uma rota mais rápida e preparando os mantimentos de sua tropa. Ao anoitecer foi até os aposentos de seu pai para despedir-se, já que levantaria muito cedo no dia seguinte, e depois se retirou, e foi dormir.
Na manhã seguinte Elber e Mordhis se encontraram. Mordhis havia reunido cento e vinte homens, e partiram logo quando Elber chegou. A viajem nas primeiras semanas foram tranquilas, pois a maior parte do caminho de Minas Tirith até Isengard era plano, e fácil de cavalgar. Durante os dias que se seguiram pararam apenas no almoço e ao anoitecer para acamparem, e rapidamente passaram o desfiladeiro de Rohan e se aproximavam de Isengard quando uma estranha sensação tomou o coração de Elber. Uma rajada de luz esverdeada em forma de cone disparou do topo de Orthanc apontada para o Norte. Com um aceno de mão a tropa parou. Elber então mudou a rota, e cavalgou por algumas léguas até Isengard. Em poucas horas alcançaram o portão de Isengard, e a luz sumiu quando eles se aproximaram. Elber enviou alguns homens observarem ao redor,e depois de alguns minutos voltaram aterrorizados. – Porque essas caras? – perguntou Elber – O que vocês viram? Um dos homens respondeu: - Encontramos dois corpos boiando nas águas de Isengard meu senhor, parecem ser batedores de Gondor. Elber olhou para Mordhis preocupado e disse a ele: - Parece que uma sombra se apossou de Isengard novamente. O que eu temia aconteceu. E virando-se novamente para os homens disse: - Vocês dois, voltem para Minas Tirith e levem os corpos. Avisem o rei, nós continuaremos nosso caminho. Os homens rapidamente colocaram os corpos sobre os cavalos e partiram rapidamente. Elber virou-se para a estrada e continuou guiando a sua tropa para o Norte.
Cavalgaram por mais algumas semanas pela estrada até desviarem por trilhas estreitas que levavam até uma estrada que passava por Eregion, e a seguiram até o fim, que acabava aos pés das montanhas sombrias, ali encontraram uma trilha que levava para o Norte. Estavam ainda a alguns dias do acampamento quando avistaram uma tropa de orcs vindo do norte na direção deles. Já estava escurecendo, e quando os orcs chegaram a uns cem metros de distância pararam, então um grande orc começou a se aproximar sozinho até os homens, enquanto sua tropa aguardava atrás, rugindo como animais que acabam de dilacerar a carne de sua presa. Elber e Mordhis foram ao encontro do orc, e quando aproximaram-se observaram de perto as feições da criatura. Era forte demais para um orc, portava uma malha mal trabalhada, uma grande espada manchada de sangue e um pesado escudo redondo de metal, completamente negro. Seu rosto era monstruoso, pois possuia diversas cicatrizes que faziam com que seu rosto expressasse o ódio que corria em seu sangue. - Digam o porque os homens de Gondor estão tão longes de suas terras! Se colaborarem farei com que a morte de vocês seja rápida e indolor – disse o orc. – Viemos eliminar a sua raça miserável, e daremos nossas vidas para isso se for preciso! – exclamou Elber. – Daremos uma oportunidade para vocês fugirem correndo como cachorros imundos de volta para o seu reino! Isso se forem capazes de fugirem de nós – disse o orc. – Veremos! – disse Elber. Nenhuma palavra mais foi dita naquele momento, e ambos se viraram cada um para a sua tropa e retornaram até ela.
Elber se dirigiu ao seus homens, e retirou sua espada da bainha. Apontou a espada para seus homens, e disse: - Guerreiros de Gondor! Avante para a batalha! Vocês juraram manter nossas terras seguras das criaturas da sombra, e esse é o momento de provar o valor desse juramento! Vamos eliminar essas criaturas perversas antes que invadam nossas casas! Saquem suas armas! E não temam a morte, pois morreremos se for preciso para mantermos nossas terras seguras contra o mal! Para a batalha! Depois das corajosas palavras de Elber os homens de Gondor pareciam correr como se aquela fosse a última batalha da vida de cada um deles. Não temiam a derrota, pois confiavam plenamente em seu capitão, e sabiam que mesmo que fossem derrotados morreriam com honra ao lado de seu mais amado herói.
A cavalaria avançou. Os orcs parados apontaram as lanças e aguardaram que os cavaleiros investissem. A cavalaria se aproximou com tamanha ferocidade que por um instante os orcs abriram uma brecha em suas defesas, até que então finalmente colidiram. Poucos homens pereceram nessa primeira investida, e Elber sentia o medo que havia tomado o coração daquelas criaturas, mesmo elas estando em maior número. Após a primeira investida os homens se voltaram para o sul e se reagruparam para uma segunda investida. A primeira investida havia sido um golpe duro para os inimigos, pois a primeira linha de batalha deles havia sido dizimada. Cavalgaram novamente, e investiram pela segunda vez. Dessa vez não tiveram tanta sorte, pois tamanha foi a fúria que tomou o capitão dos orcs que ele inspirou um grande terror em seus inimigos. O Grande orc emitiu um grito furioso, e investiu sozinho contra a cavalaria. Sua tropa, inspirada com a ferocidade de seu capitão investiram junto e se chocaram com extrema violência contra a cavalaria. O choque foi grande, e muitos homens e orcs morreram.
Elber passou à frente da batalha, e foi arremessado longe de seu cavalo quando foi atingido por uma lança inimiga. Levantou-se e olhou ao redor do campo de batalha, e notou que a maioria de seus cavaleiros haviam sido arremessados para longe de seus cavalos. Era uma tática inimiga, para que os cavaleiros não investissem mais montados, e então Elber percebeu que esses ataques não foram apenas com a intenção de matar, e sim arremessar seus cavaleiros para longe de suas montarias, já que assim estariam em desvantagem por estarem em menor número. De repente os homens viram-se cercados por todos os lados por inimigos. Sem as montarias perderam a velocidade para entrarem e sairem rapidamente da zona de risco, e assim se encontravam ao meio de uma grande roda formada pelos inimigos. Um grande terror tomou o coração dos homens naquele momento, pois com um segundo grito de fúria, o capitão orc investiu contra Elber, e nesse mesmo instante, sua tropa investiu contra os homens.
Rapidamente os homens começaram a perecer um a um. Eram ataques de todos os lados, e uma grande carnificina ocorreu no coração da batalha, mas os homens não estavam sozinhos. Ao meio de todo esse Caos estava Elber o capitão, e apesar de estar em desvantagem, seu rosto permanecia com uma expressão astuta, como se caminhasse na direção da morte com a intenção de enganá-la, pois havia sofrido poucos ferimentos e havia derrotado mais de cinquenta inimigos ao longo de toda a batalha, e a cada passo que dava na direção de um inimigo mais pavor inspirava. Elber lutava bravamente ao lado de Mordhis, e juntos estavam cercados por inimigos que pareciam não serem o bastante para deter tamanha determinação. E em meio de tantas laminas Elber viu se aproximar o capitão dos orcs, que vinha correndo brandindo sua espada na sua direção.
O grande orc rapidamente desferiu um forte golpe contra Elber, que teria decepado seu braço se não o tivesse bloquiado com seu escudo. Mas no momento em que Elber bloquiou o primeiro golpe um forte chute acertou seu estômago, pois com grande velocidade o orc o acertou e o deixou sem reação por um breve instante, que foi o necessário para desferir outro golpe com sua espada, que dessa vez acertou Elber em cheio no peito. Elber sangrava, e junto com o uivo de dor que exclamou veio a resposta. Elber desferiu um golpe que acertaria o pescoço da criatura se não tivesse sido bloquiado, e então com um rapido movimento girou o corpo e com seu braço esquerdo golpeou com força o rosto do orc com seu escudo, que o deixou atordoado por alguns segundos, dando uma brecha para que Elber lhe retribuisse um corte no peito.
Agora os dois estavam cansados e feridos gravemente da batalha, e o sangue se espalhava por todo lado. Continuaram a luta em um combate que durou apenas alguns minutos, mas foram minutos demorados e exaustivos para ambos os capitães, e lutavam como se o destino de seus homens dependesse do resultado daquele combate. O combate se seguiu de igual para igual, pois ambos eram muito habilidosos, mas os segundos finais se aproximavam, e apenas um deles sairia com vida. Depois de vários golpes bloquiados por Elber o orc finalmente conseguiu acertá-lo em cheio na cocha direita, Elber vacilou por um instante, e novamente foi golpeado, mas desta vez bloquiou o ataque, e desferiu um ataque forte o bastante para romper o escudo inimigo em pedaços. O orc segurou firme sua grande espada com suas duas mãos e investiu novamente. Elber bloquiou com o escudo fincou a espada na cocha esquerda do orc que gritou de dor, e logo em seguida empurrou com seu escudo a arma de seu inimigo pra longe e desferiu um golpe certeiro no pescoço do orc, que fez com que sua cabeça voasse para longe.
Mordhis correu rapidamente ao encontro de Elber que estava gravemente ferido, e o observou com admiração quando viu o corpo daquele orc que parecia invensível jogado ao chão com a cabeça decepada pela espada de seu senhor. Elber apoiando-se em Mordhis olhou ao seu redor, e viu que a maioria de seus homens já haviam perecido, e ainda restavam muitos orcs, que desde o começo já encontravam-se em maior número. Mesmo depois da morte de seu capitão, os orcs continuaram investindo com fúria, pois ainda tinham vantagem, mas sem o comando de seu capitão, investiam completamente desorganizados. Os homens que restaram começaram a se conformar que sua morte seria inevitável, até que uma forte corneta soou vinda do leste.
Os homens avistaram cavaleiros vindo com toda a velocidade na direção da batalha, e então quando se aproximaram, para a alegria dos homens reconheceram os cavaleiros de Rohan vindo em auxílio daqueles homens sem esperança. Elber rapidamente reconheceu o rosto do capitão. Seu nome era Ladan, príncipe e herdeiro do trono da terra dos cavaleiros, e assim como seus antepassados era um homem alto, loiro e possuía um rosto bondoso para seus amigos e terrível para os inimigos. inspirava grande respeito em campo de batalha, tanto aos seus aliados quanto aos inimigos. Investiram com velocidade contra os orcs, e depoir de mais alguns minutos haviam derrotado os orcs sem sofrerem muitas perdas.
Depois da batalha Ladan cavalgou até Elber e com grande alegria o cumprimentou: - É uma honra encontrá-lo novamente, e com vida Elber filho de Elessar, espero que esteja bem. – Muito obrigado Landan – Disse Elber – graças a vocês estamos bem, apesar de termos perdido quase todos os homens. – É uma pena que chegamos tão tarde, mas foi uma feliz coincidência que nos trouxe em seu auxílio. – disse Landan - Estavamos perseguindo alguns orcs que passaram por nossas terras causando a destruição de alguns vilarejos e cruzaram nossas fronteiras até essa região, mas perdemos o rastro deles à alguns dias, e encontramos o de vocês, e seguimos até aqui. – Entendo. – disse Elber – estamos indo auxiliar os anões em sua batalha. – Que batalha Elber? – Perguntou Ladan. – Se tivesse comparecido ao conselho em Valfenda estaria mais informado – respondeu Elber – O povo de Durin tentará retomar Moria, e nós ajudaremos. – Sinto muito por Rohan não ter comparecido, mas os senhores de Valfenda já estão cientes do motivo. – disse Ladan – Rohan está com problemas, pois os homens bárbaros da terra parda ainda nutrem um grande ódio por Rohan, e está nós atacando constantemente. Temo que alguma força superior esteja por trás desses ataques. – Não sabia que o problema havia se tornado tão sério, desejo-lhe boa sorte Landan meu amigo. – disse Elber. – Igualmente para a sua missão. – respondeu Landan – Acamparemos aqui o resto desta noite, e assim que nascer o sol partiremos. Podem passar a noite conosco se desejarem. – Obrigado Ladan, aceitaremos a oferta. – respondeu Elber.
Poucas horas restavam até o amanhacer, pois a batalha havia durado horas, e assim que amanheceu os cavaleiros de Rohan seguiram o seu caminho e deixaram para Elber e seus poucos homens alguns cavalos de seus homens que haviam caído em batalha, para que proseguissem sua viajem. Viajaram lentamente, pois os homens estavam feridos e cansados, e evitaram as estradas e trilhas conhecidas, pois podiam estar sendo vigiadas pelos orcs. Passaram muitas léguas até se aproximarem de Moria, e então desviaram o caminho para o leste e percorreram cinco léguas até finalmente avistarem o grande acampamento.
Por Renato Duarte

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