Capítulo I - O conselho de Valfenda
Lá estava reunido o conselho de valfenda novamente, depois de centenas de anos sem ser convocado. É o ano 1620 da quarta era nos registros do condado, e uma nova sombra começa a penetrar o coração dos homens. Ali estavam Elladan e Elrohir, senhores de valfenda; Laucian, Alaquias e Lurik, representando o reino da floresta verde, Durin VII com sua comitiva representando Erebor e Elber filho de Elessar II, com sua comitiva.
Estavam todos reunidos ao ar livre, sentados em um grande círculo, e os senhores de Valfenda permaneciam de pé no centro do círculo. E então Elladan observou a todos e depois de um longo silêncio disse: - Senhores dos povos livres da terra-média, em primeiro lugar agradecemos por atenderem ao nosso chamado, pois nem todos os convocados vieram. Uma sombra paira sob as ruínas de Moria. Percebemos nesses últimos tempos uma forte inquietação vinda de lá, e receio que as criaturas da sombra estejam tramando algo, pois estão se multiplicando rapidamente e estão novamente andando livres por essas terras. Reuni esse conselho para pedir que apoiem o senhor Durin, que tem como objetivo invadir Moria e reclamar o trono, mas para isso é necessário juntar uma força que consiga se opor as criaturas que lá habitam. Agora darei a palavra ao senhor Durin, para que ele explique melhor suas intenções.
E então um anão próximo à comitiva dos homens de Gondor se levantou e se dirigiu ao centro do grande círculo. De fato era um anão de grande nobreza, pois sua realeza não se notava apenas por suas vestes finas, e sim pelo seu destemido porte e pelo impacto que suas palavras tocavam os corações dos que ali o escutavam. E então disse Durin: - Senhores príncipes e reis de terras distantes, sou Durin VII e por direito o trono de Moria me pertence! É uma calúnia que um reino de tamanha beleza esteja nas mãos de criaturas tão desprezíveis como os orcs. Pedi aos senhores de Valfenda que reunissem o conselho para pedir a ajuda de vocês, pois já foi provado que o valor dos homens, elfos e anões juntos são incontestavelmente mortais diante dos inimigos. Como o senhor Elladan já havia dito, estou formando uma tropa para invadir e tomar Moria dos orcs, e peço a participação de vocês, pois não pude reunir muita força de meu povo, pois muitos estão ocupados trabalhando nos grandes salões de Erebor e protegendo nossos fortes. Peço que nos ajudem, pois essa missão estará guiando também os interesses de todos vocês.
Então Laucian, o nobre elfo do reino da floresta interrompeu e perguntou em voz alta com firmeza: - De que maneira essa missão está relacionada aos interesses de meu povo senhor Durin? – A derrota de um povo, é a derrota de todos senhor Laucian – respondeu Durin – Pois se nós falharmos e meus homens forem todos mortos, não demorará até os inimigos expandirem seus territórios e baterem à sua porta. O elfo desviou o olhar com um ar duvidoso e se calou. Elrohir dirigiu o olhar a todo o conselho e disse: - O senhor Durin tem razão. É necessário darmos auxílio ao seu povo, pois cada derrota nossa é mais uma vitória para a sombra, e um passo a menos para expandirem seus domínios. Os orcs estão se multiplicando muito rápido, e não demorará para que comecem a causar maiores problemas.
Um silêncio se abateu sobre o conselho depois das últimas palavras de Elrohir, e todos pareciam refletir sobre os problemas apontados. Depois de alguns minutos de silêncio houve um longo debate sobre os planos de Durin, as chances de sucesso que tinham e os riscos que correriam, até que para a surpresa de todos Elber se levantou e disse as palavras que faltavam para convencer a todos: - Não se deve negar ajuda a um povo necessitado, ainda mais quando se trata dos anões, que contribuiram tanto para a reconstrução do meu reino depois das terríveis guerras. Gondor ajudará meu senhor! Lutaremos ao seu lado na vitória ou na derrota, para o bem dos povos livres.Todos observaram o nobre homem com dúvida, mas logo depois Laucian se levantou e disse: - Se essa é a vontade desse conselho, o reino da floresta também ajudará! Não ficaremos de fora assistindo a batalha. Podem contar com a força do reino da floresta. - Disse Laucian. E assim todos os outros se convenceram de que era a melhor escolha.
Então está decidido! – disse Durin – Voltem ao reino de vocês e juntem tropas pequenas, pois Moria não é um lugar adequado para batalhas de grandes exércitos, voltem o mais rápido possível. Nos encontraremos no acampamento da minha tropa, à cinco léguas da entrada oeste de Moria. – Então o conselho se encerra aqui. Disse Elladan – Boa sorte senhores, vocês podem descansar aqui por hoje, pois longa será a viajem de vocês pela manhã.
Cada um se dirigiu ao seu aposento, e lá permaneceram durante o resto do dia, exeto Elber, que estava em Valfenda pela primeira vez, e então passou o dia caminhando e apreciando a beleza daquela grande casa dos elfos. Já havia visto obras dos elfos antes em Gondor, trazida pela colônia élfica que reside em Ithilien, uma terra de bosques agradáveis, prados floridos e muitas cachoeiras ao longo dos riachos que abrem caminho desde a muralha montanhosa oriental, até o rio oeste. Mas Valfenda para ele era algo novo, e imaginava a grandeza desta grande casa na época que servia de abrigo para os amigos dos elfos contra a sombra de Sauron, e ao mesmo tempo se sentiu orgulhoso por seu parentesco com os nobres elfos daquela casa, pois Elber era nada menos que o segundo filho do rei Elessar II, descendente de Elessar e Arwen.
O dia passou calmo em Valfenda, e a noite caiu suave sobre o pequeno vale. Todos os visitantes foram convidados para um grande banquete no salão principal no qual estava aberto para o céu. Todos compareceram e jantaram sob a luz do luar; haviam algumas velas e incensos perfumados, que exalavam um suave aroma de cravo e uma variedade de alimentos estendiam-se sobre as grandes mesas em grandes tigelas em formas de cisnes; frutas, sementes, pães e bebidas a base de frutas eram alguns dos alimentos principais disponíveis nas mesas. A luz do luar batendo levemento sob as telhas claras das casas fez o vale encher-se de luz; e ao som da música dos habilidosos menestréis élficos do vale encerraram o banquete. Após o banquete a música cessou, e ali permaneceram ainda por muito tempo os convidados, conversando e contando histórias sobre seus reinos e lendas sobre terras longínquas onde jamais haviam pisado.
Todos conversaram durante horas, até que aos poucos começaram a se retirar do salão e voltarem para os dormitórios, pois partiriam cedo pela manhã. E assim se encerrou o jantar, e a noite deixou valfenda apenas algumas horas depois.

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